Mês 12

Capstone: Diagnóstico de Receita

Auditoria de funil, dados e sistemas; plano anual com capacidade, metas e comissão; roadmap de tecnologia e proposta de time.

8 etapas · 40 horas de trabalho

O Módulo 13 terminou com o mandato escrito. Você desenhou a grade de direitos de decisão, escolheu a linha de reporte sabendo qual viés ela compra e qual ela vende, dimensionou o time de RevOps por dois métodos que discordavam, escreveu os OKRs que passam no teste de controlabilidade e montou o material de conselho com seis números e uma decisão. Falta a única coisa que a função existe para produzir. Um documento que faz a empresa mudar de rota.

A Órbita fechou 2026 com R$ 31,9 milhões de ARR contra um plano de R$ 34 milhões. Faltaram R$ 2,1 milhões. Quem lê essa frase e conclui que o plano falhou por inteiro está lendo uma linha só. Das cinco linhas que o plano prometeu, duas foram batidas, e as duas são de retenção: a expansão veio acima e as perdas vieram R$ 250 mil abaixo do previsto. Nos indicadores que essas duas linhas produzem, o GRR bateu 86,9% contra 86,0% prometidos e o NRR bateu 103,2% contra 102,0%. São 0,9 pp e 1,2 pp a mais do que a Fase 3 se comprometeu a entregar. A linha que não veio foi a venda nova: R$ 6,3 milhões contra R$ 7,6 milhões, uma falta de R$ 1,3 milhão. E R$ 1,3 milhão é exatamente o que custou encolher o SMB, uma decisão que o plano previu custar R$ 800 mil. A decisão estava certa. A conta que a sustentou estava incompleta em R$ 500 mil.

O diagnóstico é um sistema de cinco documentosÓrbita Software, 2026 apresentado como realizado. Contas em R$ mil: 31.900 são R$ 31,9 milhões.1 · Cascata de ARR · em R$ mil24.800 + 6.300 novo + 4.050 expansão − 3.250 perdas = 31.900fecha ao milhar: resíduo R$ 0junção 1: a meta de ARR novo tem que ser a capacidade ajustada2 · Modelo de capacidade, dez/26 · em R$ milquota 7.380 × atingimento 85,5% = 6.310, contra a meta de 7.600não fecha: R$ 1,29 milhão, 17,0% da metajunção 2: a quota do modelo tem que ser a quota que a comissão paga3 · Plano de remuneração variável · em R$ mil(fixo 2.526 + variável 1.414 × 85,5%) × 1,4 de encargos = 5.229não fecha: R$ 196 mil, 3,9% da linhajunção 3: o custo carregado do comercial tem que caber na despesa da DRE4 · DRE recalculada pela cadeia · em R$ mil29.800 × 80,2% − 5.22916.483 = 2.188, ou 7,3%não fecha: 0,7 pp sob os 8,0% publicadosjunção 4: o EBITDA tem que sobreviver ao que o plano consome fora do resultado5 · Caixa · em R$ mil4.200 + 2.1883.684 = 2.704 projetado, contra 2.900 publicadosfecha: 6,4 meses de folha, piso de 6junção 5: o saldo que sobra tem que cobrir seis meses de folha comercialTrês junções não fecham, e duas são o mesmo resíduo: os R$ 196 mil da faixa 3 reaparecem na 4 e na distância até o caixa publicado.A junção 1 é a que custa ARR: a meta de R$ 7,6 milhões nunca coube nos R$ 6,31 milhões de capacidade, e o ano entregou R$ 6,3 milhões.

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Figura 14.0 Cada documento fecha sozinho. O plano quebra nas junções. Leia de cima para baixo, que é a ordem em que o trabalho é feito, e depois leia de novo pelos losangos, que é onde o trabalho é auditado. Cada faixa é um documento do plano de 2026 da Órbita, com a sua conta inteira à vista. Cada losango é uma junção: a condição numérica que dois documentos vizinhos precisam satisfazer ao mesmo tempo. A coluna da direita traz o veredito de cada junção, verde quando fecha e vermelho quando não fecha. Esta é a figura mestra do módulo: a etapa 14.3 mora na faixa 1, a 14.5 nas faixas 2, 3 e 5, a 14.6 na 4 e a 14.7 na seta que sai daqui para os catorze slides. Guarde as três faixas vermelhas, e repare que duas delas são o mesmo número aparecendo em documentos diferentes. Resíduo não se dilui ao descer o plano. Ele viaja.

Olhe a faixa 2 e depois olhe a faixa 1. As duas estão certas por dentro. A cascata fecha ao milhar e o modelo de capacidade está aritmeticamente correto. O erro está entre eles. Depois de a Fase 3 cortar a aquisição nova de SMB, as onze cadeiras de venda de dezembro de 2026 são 9 de mid-market a R$ 620 mil e 2 de enterprise a R$ 900 mil, o que dá R$ 7,38 milhões de quota carregada para uma meta de R$ 7,6 milhões de venda nova. São 1,0× a meta: o time carregava menos quota do que a meta pedia, antes de qualquer desconto de rampa e antes de qualquer discussão sobre esforço. Ao atingimento de 85,5% que a própria Órbita praticou em 2025, a capacidade era R$ 6,31 milhões contra os R$ 7,6 milhões pedidos, uma lacuna de R$ 1,29 milhão. O ano fechou em R$ 6,3 milhões de venda nova. O modelo de capacidade previu o resultado do ano com a informação que existia em janeiro, e ninguém o consultou.

Os R$ 500 mil de quota que ficaram descobertos quando o AE de enterprise saiu em setembro, num segmento com 9 meses de rampa, não explicam a falta: eles explicam por que nem a folga de atingimento apareceu. E as faixas 3, 4 e 5 mostram o segundo mecanismo, que é mais sutil e mais comum. Trocar três AEs de SMB por três de mid-market mantém a contagem de cabeças e sobe o fixo, e o custo carregado do time de dez/26 fica R$ 196 mil acima da linha de folha comercial que o plano orçou. Essa diferença não se dilui: ela reaparece inteira na margem EBITDA, que recalculada pela cadeia dá 7,3% contra os 8,0% publicados, e de novo no caixa, que projetado dá R$ 2,7 milhões contra os R$ 2,9 milhões publicados, R$ 196 mil abaixo. É esse tipo de erro que o capstone existe para pegar. Documento isolado quase sempre está certo. Plano quebra na costura.

Este módulo não é um módulo. É o trabalho final, e ele muda a natureza do que se pede de você. Nos treze módulos anteriores o exercício terminava quando a conta fechava. Aqui a conta fechar é o ponto de partida, não a entrega. A entrega é um documento de decisão: uma recomendação em uma frase, três achados com evidência, causa, consequência em reais e dono, um plano anual que passa em sete cruzamentos, um parecer de conformidade que sobrevive à legislação trabalhista brasileira, catorze slides que Helena Braga e Cláudia Meirelles entendem sem você na sala, e um apêndice de vinte slides para quando elas perguntarem. As oito etapas a seguir são as oito semanas comprimidas em quatro: o gênero do documento, a auditoria em cinco camadas, a reconciliação, os achados, o plano, o roadmap e o time, a apresentação e a arguição.

Duas regras valem nota e são declaradas agora, antes de qualquer trabalho. A primeira é o congelamento analítico: do dia 16 ao dia 20 nenhum número novo entra no trabalho, só se comunica. Análise se expande até ocupar o calendário inteiro, e quem monta os slides na véspera entrega uma análise boa dentro de uma apresentação que ninguém compra. A segunda é o critério-trava da rubrica: cair no nível insuficiente em integridade dos números reprova o trabalho com qualquer total. Um número que não bate não é um desconto na nota. É o fim da conversa, porque a partir dele Cláudia Meirelles audita todos os outros, e ela tem razão em auditar. A Órbita chega a este mês com R$ 2,9 milhões em caixa, 11 meses de pista e uma condição de Série C escrita em contrato: ARR ≥ R$ 45 milhões, NRR ≥ 110%, EBITDA ≥ 0, ou seja, ARR da empresa inteira de pelo menos R$ 45 milhões em dez/27. Não há espaço para um documento que termine em próximos passos a discutir.

Ao fim do capstone você deve ser capaz de

  • Distinguir relatório de diagnóstico e escrever, em um parágrafo único, a recomendação, a razão e o valor em reais que a sustenta, antes de abrir qualquer planilha.
  • Conduzir uma auditoria de receita em cinco camadas (mercado e oferta, funil e processo, dados e definições, sistemas e integrações, time e governança), pontuando cada uma de 1 a 4 com uma evidência nomeada e identificando a camada que trava todas as outras.
  • Reconciliar cascata de ARR, contagem de clientes, receita reconhecida e folha de comissões até que os quatro documentos concordem, e explicar item a item a origem de cada divergência que sobrar.
  • Transformar uma observação em achado, isto é, evidência mais causa mais consequência quantificada em reais mais dono, e ordenar os achados por tamanho do prêmio em vez de por facilidade de conserto.
  • Construir um plano anual em que meta, capacidade ajustada por rampa, remuneração variável e caixa passem nos sete cruzamentos de coerência, com o variável custeado carregado sob a legislação trabalhista brasileira, incluindo encargos, reflexo em décimo terceiro, férias e repouso semanal, e a vedação ao estorno por cancelamento do cliente.
  • Sequenciar um roadmap de tecnologia em ondas justificadas pela camada travante e propor um time de RevOps que comece com uma pessoa, dizendo o que ela entrega na primeira semana.
  • Estruturar uma apresentação executiva com resposta primeiro, um gráfico por ideia, slide de pedido com dono e prazo, slide de falseabilidade e apêndice organizado por pergunta previsível.
  • Sustentar o diagnóstico sob arguição de CEO e CFO, separando o que você sabe do que estimou e do que não sabe, e se autoavaliar contra a rubrica antes de entregar.

As etapas do trabalho

  1. 14.1O documento que termina em um pedido
  2. 14.2Cinco camadas, e a que trava todas as outras
  3. 14.3Antes da opinião, os fatos que fecham
  4. 14.4Sintoma, causa e o tamanho do prêmio
  5. 14.5O plano que cabe: capacidade, comissão e caixa
  6. 14.6Sequenciar tecnologia e desenhar o time que ainda não existe
  7. 14.7Catorze slides e a ordem inversa do trabalho
  8. 14.8A arguição: o que você sabe, o que estimou e o que não sabe
  9. Critérios de avaliaçãoA rubrica com que o trabalho final é avaliado.

A Órbita Software é uma empresa fictícia, construída para este curso. Por que um caso fictício.