5Módulo 5

Arquitetura de sistemas e dados

Modelo de dados do CRM, CPQ, billing, integrações, warehouse e governança de qualidade.

8 capítulos · 30 horas de estudo sugeridas

O Módulo 4 terminou com quatro documentos prontos e um desconforto. Você escreveu a definição de MQL que dois analistas aplicariam com o mesmo resultado, os critérios de saída dos seis estágios a partir de evidência do comprador, a matriz de aprovação de desconto que substitui o WhatsApp e a carga útil obrigatória de cada passagem de bastão. Os quatro dependem de uma condição que ninguém verificou: que o sistema consiga distinguir um registro do outro e guardar o que você acabou de escrever. A lista de definições que a Órbita não tem, e que você leu no capítulo 4.1, abre com duas linhas que não são de processo. Cliente ativo: não existe. ARR: nunca foi escrito. Processo escrito sobre modelo de dados quebrado não é processo. É intenção com formulário.

Em dezembro de 2025 a Órbita produziu quatro respostas para a mesma pergunta. O Salesforce diz R$ 26,9 milhões. O Omie diz R$ 25,2 milhões. A planilha que Cláudia Meirelles mantém à mão diz R$ 24,8 milhões, e é essa que vai ao conselho. O Looker Studio diz R$ 23,2 milhões, e ninguém abre. Entre o maior e o menor há R$ 3,76 milhões, ou 15,2% do ARR oficial. Quatro sistemas, quatro números, nenhuma mentira e nenhum erro de digitação. Cada sistema respondeu corretamente a uma pergunta ligeiramente diferente, porque ninguém nunca escreveu qual era a pergunta.

O mapa de objetos da receitaDoze substantivos que qualquer operação B2B por assinatura precisa reconhecer como reaisConta-PaiLeadpessoa e empresa no mesmo registroContaa empresa que compralookupnão soma: é por isso que hierarquia não totaliza receitaconversão manual: depende de alguém lembrar1 : N1 : NContatoa pessoa dentro da empresaOportunidadea negociação em curso1 : N, uma primáriaProdutoe tabela de preçoCotaçãocom linhas de cotaçãoPedidoo que foi aceito1 : 11 : NContratoAssinaturaAditivoFatura1 : N1 : N1 : Nverde: objeto contábil, onde mora o dinheiroOnze objetos formam uma cadeia contínua da Conta até a Fatura. O Lead não toca nenhum deles.Conta duplicada é, portanto, propriedade do desenho, e não descuido do vendedor.

Arraste o desenho para o lado para ver inteiro

Figura 5.0 Onze objetos formam uma cadeia contínua. O Lead não toca nenhum deles. Leia da esquerda para a direita e de cima para baixo, que é a ordem em que a operação acontece. Retângulo reto é registro, hexágono é objeto contábil. Linha sólida é relacionamento forte, que soma do filho para o pai; linha tracejada é ligação frouxa, que não soma; linha vermelha tracejada é acoplamento que depende de alguém lembrar de fazer. Esta é a figura mestra do módulo: o capítulo 5.2 mora na caixa Conta, o 5.3 na caixa Lead, o 5.4 na faixa de baixo, e o 5.5 nas setas. Guarde o vazio à esquerda do Lead. Ele é o assunto de um capítulo inteiro.

A reação de mercado a essa cena é sempre a mesma, e é sempre a errada. A dor aparece no painel, então a empresa compra um armazém de dados (data warehouse), uma ferramenta de extração e um BI novo, e descobre em nove meses que passou a errar mais rápido, com gráfico melhor e com mais autoridade, porque agora o erro está numa tela bonita que ninguém contesta. Arquitetura de sistemas não é escolha de ferramenta. É a decisão sobre quais substantivos a empresa reconhece como reais, com que grão eles são contados, e quem tem o direito de alterá-los. Escrever isso custa R$ 0. Comprar a camada de cima antes de escrever custa caro duas vezes: na licença e no ano que se perde.

O preço de não ter escrito já está lançado nos livros. Sobre a base de R$ 18,4 milhões de janeiro, o número do CRM publica um crescimento de 46,4% e o número canônico publica 34,8%. São 11,6 pp de crescimento que não existem, num slide que vai para investidor. O plano de 2026 cresce 28,6% sobre a base de saída: aplicado aos R$ 2,14 milhões de excesso do CRM, isso produz R$ 613 mil de quota sem lastro, ou R$ 55,7 mil por ano para cada um dos 11 AE, que ninguém vai atingir porque a base nunca existiu. Some o custo de manter a confusão: Bruno Capucci gasta 36 dias-pessoa por ano fechando o ARR à mão, e o número que ele entrega continua divergindo de outras três fontes.

Este é o segundo módulo da Fase 2 e ele é dono do bloco de sistemas do caso. Nos próximos oito capítulos você instala o vocabulário mínimo de objeto, registro, campo e relacionamento, decide qual anel da identidade do cliente é o cliente, entende por que o lead é o objeto mais quebrado do B2B, segue o dinheiro da cotação até a nota fiscal, mapeia como o dado viaja entre os sistemas que guardam registro de conta, contrato ou dinheiro, que são menos do que os 12 contratos de software que a empresa paga e o capítulo 5.5 explica por quê, reconcilia as quatro versões do ARR até o último real, constrói a matriz que diz quem é dono de cada campo, e só no fim vê a arquitetura de referência com o preço de cada camada. A tabela da arquitetura da Órbita começa vazia em 5.1 e preenche uma linha por capítulo. Até aqui você aprendeu a escrever as regras. A partir daqui você decide onde elas moram.

Ao fim deste módulo você deve ser capaz de

  • Desenhar, em uma folha, o mapa de objetos da sua operação de receita (conta, contato, lead, oportunidade, produto, cotação, contrato, assinatura, fatura), indicando cardinalidade e chave de ligação entre cada par.
  • Identificar o grão de qualquer métrica de receita que a empresa publica, e apontar em qual anel da identidade do cliente ela está sendo calculada: grupo econômico, CNPJ raiz, estabelecimento, contrato, assinatura ou usuário.
  • Reconciliar dois números de ARR discordantes decompondo a diferença em causas nomeadas, como escopo, timing, duplicidade e filtro de status, em vez de arbitrar qual sistema está certo.
  • Construir uma matriz de propriedade de campo, definindo o sistema de registro por campo e não por sistema, para os 12 campos críticos da operação, identificando os campos com dois donos e os campos órfãos.
  • Decidir, com critério explícito, quando um problema de receita se resolve com automação no CRM, com iPaaS, com warehouse mais camada semântica, ou com reverse ETL. E reconhecer quando nenhum dos quatro resolve, porque o problema é de processo.
  • Definir e instrumentar seis indicadores de qualidade de dados com metas, transformando a frase "nosso CRM é uma bagunça" numa métrica com linha de base, dono e cadência de revisão.
  • Avaliar se a empresa precisa de CPQ, de sistema de assinaturas ou de nenhum dos dois, a partir do número de combinações de catálogo e da frequência de aditivos contratuais, e não a partir do que o fornecedor prometeu.
  • Montar uma arquitetura de referência em quatro camadas, com custo estimado por camada em reais, e ordená-la numa escada de compra por faixa de ARR, justificando o que ainda não comprar.
  • Apontar três decisões de modelagem que, tomadas erradas no primeiro ano, custam mais para desfazer do que a empresa inteira gastou em software, e propor a alternativa correta para cada uma.

Capítulos

  1. 5.1Quatro sistemas, quatro ARRs
  2. 5.2Quem é o cliente
  3. 5.3O pecado original do objeto Lead
  4. 5.4Do palco ao livro-razão
  5. 5.5Como o dado anda: a fronteira entre o marketing e o CRM
  6. 5.6Cada um com seu número: armazém, camada semântica e a reconciliação
  7. 5.7Governança: o dado como produto, não como entulho
  8. 5.8A arquitetura de referência e o preço de cada camada
  9. Laboratório 5A entrega do módulo, com critérios de avaliação.

A Órbita Software é uma empresa fictícia, construída para este curso. Os números dela foram escolhidos para ensinar e calibrados contra referências públicas de mercado. Por que um caso fictício.