O Módulo 6 terminou com um vocabulário fechado. Você escreveu a definição de cada métrica com numerador, denominador, janela, filtro, fonte, grão e dono, separou as três conversões, montou as coortes e provou que os cinco win rates da Órbita eram cinco contas corretas sobre cinco denominadores diferentes. A partir dali a empresa passou a ter números que duas pessoas reproduzem sem conversar. O que aquele módulo não fez, porque não era a hora, foi usar esses números para decidir alguma coisa. Medir o passado é a parte barata. Agora eles viram premissa de um ano que ainda não aconteceu, e premissa errada custa folha, não relatório.
Comece pelo constrangimento. O plano de 2026 da Órbita já está escrito e já foi ao conselho. Ele promete ARR de R$ 34 milhões em dezembro, partindo de R$ 24,8 milhões, com R$ 3,9 milhões de expansão, R$ 3,5 milhões de churn mais contração e R$ 7,6 milhões de venda nova. Some as parcelas: R$ 24,8 milhões mais R$ 7,6 milhões mais R$ 3,9 milhões menos R$ 3,5 milhões dá R$ 32,8 milhões. Faltam R$ 1,2 milhão para chegar ao número que está na capa. O plano não fecha com ele mesmo, e passou por CEO, CFO, CRO e conselho sem que ninguém somasse quatro linhas. Não é desonestidade. É o que acontece quando a meta é discutida como taxa de crescimento e as parcelas são preenchidas depois, cada uma por uma área diferente, sem que ninguém seja dono da soma.
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A tese deste módulo é uma frase e você vai passar oito capítulos pagando por ela. O número de vendedores não é uma decisão: é o resíduo de uma cadeia de premissas empilhadas. Quem discute headcount antes de discutir atingimento planejado, rampa, vaga e win rate está negociando o último dígito de uma conta que nunca fez. Repare no que a figura mostra na quarta caixa. Multiplicar 11 pessoas pela quota de cada uma dá R$ 8,07 milhões de capacidade aparente, o que faz o plano de R$ 8,8 milhões parecer folgado. A capacidade de verdade é R$ 6,34 milhões. A conta ingênua superestima a estrutura em 27,3%, e é essa conta que está no fundo de praticamente todo plano anual de empresa brasileira desse porte.
Repare também no que a sétima caixa faz com a lacuna, porque é o movimento que separa este módulo de um exercício de planilha. Ela não devolve um número único de cabeças. Ela devolve duas lacunas de naturezas diferentes: R$ 1,26 milhão de lacuna de capacidade, que o capítulo 7.3 fecha com 4 cadeiras nomeadas por segmento e mês, 3 no mid-market e 1 no enterprise, valendo R$ 1,56 milhão no próprio ano; e R$ 1,2 milhão de lacuna de ambição, que continua aberta depois da última contratação porque ela não é falta de gente. Cada cadeira carrega a capacidade e a curva de rampa do segmento em que senta, e por isso as quatro entram na conta uma a uma. Uma capacidade média entre segmentos não é a capacidade de ninguém.
Guarde o número da sexta caixa, porque ele volta. A Órbita perde R$ 561 mil de capacidade em 2026 sem que nenhum vendedor trabalhe mal: são 0,89 AE-ano que evaporam entre a saída esperada de 2,0 pessoas, os 68 dias médios para repor cada uma e a curva de rampa de quem chega, que leva 2,15 meses produtivos no SMB, 2,95 no mid-market e 5,15 no enterprise antes de a cadeira voltar a render cheia. A conta está publicada assim de propósito: saídas esperadas vezes meses de vaga mais perda de rampa, dividido por doze, vezes a capacidade de uma cadeira cheia. Qualquer pessoa consegue refazê-la, e o Módulo 12 vai refazê-la para mostrar quanto disso o enablement consegue recuperar sem gastar um real a mais de folha.
Este é o primeiro módulo da Fase 3 e ele é dono dos blocos de time comercial, histórico e plano de 2026 do caso. Nos próximos oito capítulos você escreve os dois planos que precisam existir ao mesmo tempo e aprende a tratar a lacuna entre eles como produto e não como problema, percorre a cadeia de divisões com a fórmula de cada elo, separa ter gente de ter capacidade, deriva a meta de marketing do win rate em vez de negociá-la, constrói quota a partir de remuneração-alvo (OTE) e decompõe o excedente de quota em camadas auditáveis, distribui a meta pelos doze meses contra a sazonalidade brasileira, desenha carteira com equilíbrio e disrupção medidos e, no fim, monta a ponte que faz CEO e CFO assinarem embaixo. Até aqui você aprendeu a medir o que já aconteceu. A partir daqui você assume um número que ainda não aconteceu.