10.7Capítulo 7 de 8

Preço não é um número, é uma estrutura

10.7 Preço não é um número, é uma estrutura

Pergunta antes de ler

Qual é a unidade pela qual a sua empresa cobra? Usuário, documento, veículo, transação, receita do cliente, contrato fechado? Escreva a unidade, e ao lado dela escreva quem decidiu que seria essa e em que ano.

Depois responda a uma pergunta de teste: se o cliente dobrar de tamanho no ano que vem, a fatura dele dobra sozinha, cresce um pouco ou fica igual? A resposta a essa pergunta é o seu teto de expansão, e ele foi decidido antes de você chegar.

Quase todo comercial sênior acha que já sabe preço, porque negocia desconto todo dia. Negociar desconto é operar dentro de uma estrutura que outra pessoa desenhou. É a diferença entre dirigir e projetar a estrada. Este capítulo é sobre a estrada, e ele vem depois do capítulo de expansão de propósito: você acabou de ver que o segmento com mais headroom de catálogo da Órbita é justamente o que menos expandiu, e que os três módulos de maior valor percebido saíram do catálogo vendável do plano do meio porque alguém decidiu incluí-los. Ninguém do time comercial tomou essa decisão. Ela foi tomada uma vez, numa reunião de produto, e desde então limita o que o time consegue vender.

Ramanujam e Tacke escrevem o argumento na forma mais afiada possível: desenhe o produto em torno do preço, e não o preço em torno do produto. A pesquisa bienal de precificação da Simon-Kucher citada por eles indica que 72% das inovações lançadas nos cinco anos anteriores falharam em atingir suas metas financeiras, e a diferença dos que acertaram foi ter tido a conversa de disposição a pagar antes do produto existir, não depois. Cite isso como argumento, nunca como medida: é pesquisa declarativa com executivos, de 2016.

Métrica de valor e o teste das três perguntas

Métrica de valor (value metric) é a unidade pela qual você cobra, escolhida de forma que a conta do cliente cresça quando o valor que ele recebe cresce. Ela não é uma decisão de faturamento. É a decisão que determina se a sua expansão vai precisar de um vendedor ou não.

O teste tem três perguntas e uma métrica que falha em qualquer uma delas está errada. Primeira: ela cresce junto com o valor entregue? Segunda: o cliente entende a unidade e consegue prever a conta do mês que vem? Terceira: é difícil de burlar, ou seja, o cliente consegue continuar recebendo o valor enquanto reduz a contagem?

A terceira é a que separa as métricas boas das métricas plausíveis. Cobrar por usuário num produto cujo valor não vem do número de pessoas passa nas duas primeiras e quebra na terceira: o cliente raciona logins, cria um usuário genérico, compartilha senha. O resultado é uma base que usa mais e paga o mesmo, e uma empresa convencida de que o produto não tem mais o que vender.

Quatro perguntas de preço, quatro divisões do mesmo excedenteA barra vertical de cada degrau é a disposição a pagar do cliente, dividida em quatro quartos. Verde é o que o fornecedor captura, hachura é o que o cliente leva de graça. Os quartos ordenam os métodos: não medem nenhum deles.1. quanto me custa?custo mais margemfica como clientecapturado: 1 de 4COGS de assinatura por cliente: R$ 6.765/ano2. quanto eles cobram?referência de concorrênciafica como clientecapturado: 1 de 473 negócios perdidos para concorrente de tic...3. quanto vale para ele?valor percebidofica como clientecapturado: 2 de 4veículo ativo monitorado: a métrica atual da...4. quanto ele ganha com isso?resultado geradofica como clientecapturado: 3 de 4frete auditado e sinistro evitado, ainda não...Os dois primeiros degraus têm a mesma barra. Cobrir o custo é o piso do preço, nunca o critério, e copiar o concorrente é herdar a contabilidade dele sem poder auditá-la.

Arraste o desenho para o lado para ver inteiro

Figura 10.7 Precificar pela concorrência é custo mais margem com o custo de outra empresa. Cada degrau é definido por uma pergunta diferente, e a barra vertical de cada um é a mesma disposição a pagar do cliente, dividida entre o que o fornecedor captura, embaixo, e o que o cliente leva de graça, em cima. Leia os dois primeiros degraus lado a lado: a divisão é a mesma, e é esse o argumento do desenho. Perguntar quanto custa e perguntar quanto os outros cobram produz o mesmo preço, porque a segunda pergunta é a primeira feita na contabilidade de outra empresa. A régua é ordinal e está declarada nas linhas tracejadas: cada barra é dividida em quatro quartos e a captura de cada degrau ocupa um número inteiro deles. Não é medição, e não existe medição possível aqui, porque disposição a pagar não é observável em nenhum dataset. O que a figura ordena é a direção, não a magnitude, e por isso os dois primeiros degraus dividem o mesmo quarto.

Excedente do cliente = Disposição a pagar − Preço cobrado

Cost-plus maximiza o excedente do cliente, porque o custo marginal de software é próximo de zero e não tem relação nenhuma com o valor entregue. Precificação por valor divide o excedente. A pergunta correta nunca foi quanto custa. É quanto vale, e para quem.

A métrica de valor da Órbita é boa. O problema é o peso dela.

A Órbita cobra por veículo ativo monitorado por mês, combinada com uma taxa de plataforma. Passe o teste das três perguntas e veja o que acontece. A primeira passa: frota maior significa mais fretes, mais documentos e mais valor entregue. A segunda passa: o cliente sabe quantos veículos tem e consegue prever a conta. A terceira passa em parte, porque um veículo pode ser marcado como inativo e a contagem cai sem que o valor caia junto, mas o risco é pequeno num setor em que veículo parado custa dinheiro.

Então por que o SMB expande 4,3% e o enterprise 30,4%, com a mesma métrica e o mesmo produto? A resposta não está na métrica. Está no peso dela dentro do preço. Decomponha o preço de tabela de cada plano e o mecanismo fica visível em três contas de uma linha cada.

PlanoPlataforma/mêsPor veículo/mêsFrota implícitaPlataforma no preçoO que isso faz com a expansão
Órbita EssencialR$ 1.490R$ 1222,9 veículos84,4%quase nada da fatura se move com o cliente: a expansão automática está desligada
Órbita ProR$ 4.900R$ 2273,2 veículos75,3%um quarto da fatura acompanha a frota: a expansão automática existe e é modesta
Órbita EnterpriseR$ 14 milR$ 28504,1 veículos49,8%metade da fatura acompanha a frota: a expansão automática é o motor do segmento

Os preços de plataforma e por veículo vêm da tabela de planos da Órbita. O ACV de tabela vem do dataset de segmentos. A frota implícita é derivada: ACV de tabela dividido por 12 meses, menos a taxa de plataforma, dividido pelo preço por veículo. A última coluna diz o que a fração de plataforma faz com a expansão automática daquele segmento.

Quanto da fatura acompanha o cliente quando ele crescePreço de tabela mensal de cada plano, normalizado em 100%. Azul é fixo, verde acompanha a frota.Órbita Essencial84,4%15,6%22,9 veículosÓrbita Pro75,3%24,7%73,2 veículosÓrbita Enterprise49,8%50,2%504,1 veículostaxa de plataforma, fixamétrica de valor, acompanha a frotaO corte de frota do perfil de cliente ideal da Órbita é de 40 veículos. A frota implícita do plano de entrada é de 22,9. O plano de entrada foi dimensionado para uma conta que o próprio ICP recusaria.

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Figura 10.7-b No plano de entrada, oitenta e quatro por cento da fatura não se mexe quando o cliente cresce. As três barras estão normalizadas em 100% do preço de tabela mensal, e não em reais, porque o que importa aqui é a proporção. O trecho azul é a taxa de plataforma, que é fixa. O trecho verde é a parte que acompanha a métrica de valor. Leia de cima para baixo: quanto mais barato o plano, menos a fatura responde ao crescimento do cliente. E leia o número de veículos ao lado: a frota implícita do plano de entrada está abaixo do corte de frota do próprio perfil de cliente ideal da empresa.

Repare no que a última linha do desenho afirma. O critério de maior peso do perfil de cliente ideal da Órbita é “Frota própria ou dedicada ≥ 40 veículos”, com peso 25 de 100. A frota implícita no preço de tabela do plano de entrada é de 22,9 veículos. O empacotamento e o perfil de cliente ideal discordam entre si, e a discordância está medida em outro lugar do diagnóstico: 41% dos novos logos estão fora do ICP e eles produzem 68% do churn.

Cerca de valor é estrutura, não lista de funcionalidades

Boa, melhor e ótima não é uma escada de quantidade de recursos. É um conjunto de cercas: barreiras que fazem cada segmento se autosselecionar no plano correspondente à sua disposição a pagar. Uma boa cerca captura excedente de quem paga mais sem afastar quem paga menos, e o mecanismo é o mais barato que existe em segmentação de preço, porque o cliente se classifica sozinho.

A diferença prática entre os dois tipos de cerca aparece na mesa de negociação. Se a diferença entre planos é uma lista de funcionalidades, o cliente negocia item a item: quero o plano do meio com aquele relatório do plano de cima. Se a diferença é volume, número de entidades, SLA, governança ou ambiente, a negociação vira uma escolha de faixa, porque o cliente não consegue pedir meia governança.

O que separa os planos, e o que só parece separarCerca estrutural: o cliente escolhe uma faixaLista de funcionalidades: o cliente negocia item a itemvolume ou franquia da métrica de valormais relatóriosnúmero de entidades e de usuáriosmais bonito, mais modernoSLA e nível de suportemais horas de treinamentogovernança: SSO, auditoria, papéisum módulo isolado do plano de cimaintegração, API e ambiente dedicadoprioridade na fila de suporte, sem SLA escritoTeste da cerca: se o cliente consegue pedir aquele item isolado no plano de baixo e alguém na empresa consegue dizer sim, a cerca não existe.

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Figura 10.7-c Cerca que o cliente consegue pedir pela metade não é cerca. A coluna da esquerda lista cercas estruturais, que a Órbita já usa nos seus três planos. A da direita lista diferenças que convidam à negociação item a item. O teste está no rodapé e cabe numa frase: se o cliente consegue pedir aquele item isolado no plano de baixo, a cerca não existe, ela só está escrita.

O item mais caro da Órbita está de graça no plano do meio

As cercas da Órbita são boas. Usuários incluídos (5 no Essencial, 25 no Pro, ilimitados no Enterprise), SLA de 99,9%, ambiente dedicado, SSO, API ilimitada e multi centro de distribuição são todas cercas estruturais. O defeito não está nas cercas. Está em um item específico, e ele custa por ano mais do que qualquer outra alavanca deste módulo.

O módulo de roteirização dinâmica custa R$ 1.200 por mês no plano Essencial e está incluso no Pro. É, ao mesmo tempo, o módulo de maior custo de infraestrutura e o de maior valor percebido. A Órbita subsidia o item mais caro do catálogo exatamente no segmento de maior volume, e não sabe quanto isso custa, porque não separa custo de serviço prestado por módulo.

A grade do empacotamento e o item que escapa por elaSeis módulos, três planos. Cobrado, incluso no plano ou negociado caso a caso. Nas células, preço de tabela por cliente por mês.EssencialProEnterpriseRoteirização dinâmicaR$ 1.200inclusoinclusoTorre de controle / rastreamento em temp...R$ 2.200inclusoinclusoPortal do embarcadorR$ 1.500inclusoinclusoAuditoria e conciliação de freteR$ 2.800R$ 2.800negociadoÓrbita Analytics (BI)não inclusoR$ 1.800inclusoManutenção de integração ERP dedicadanão inclusoR$ 900negociadovazamentoR$ 720 mil a R$ 1,1 milhão/anoCélulas em reais por cliente por mês; seta em reais de ARR da empresa por ano.A faixa é faixa porque a Órbita não separa custo de serviço prestado por módulo. Sem custo por módulo, a empresa não consegue nem medir o próprio subsídio nem defender o preço novo diante de um cliente que pergunta por que mudou.

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Figura 10.7-d O vazamento não está numa taxa de conversão. Está numa linha da tabela de preços. A grade mostra os seis módulos do catálogo contra os três planos. Verde é cobrado, azul claro é incluso no plano, hachura é negociado caso a caso e portanto não tem preço de tabela. Siga a linha da roteirização: ela é receita no plano de entrada e subsídio no plano do meio, que é onde está a maior parte do ARR da empresa. A seta vermelha que sai pela lateral é o vazamento anual estimado no diagnóstico da Órbita, e ele sai como faixa porque a empresa não tem custo por módulo para fechar o número.

Na práticaÓrbita Software · o preço do empacotamento atual

Passo 1, decompor o preço de tabela. O plano Essencial cobra R$ 1.490 de plataforma mais R$ 12 por veículo por mês. O ACV de tabela do SMB é R$ 21,2 mil por cliente por ano, ou R$ 1.765 por mês. Tirando a plataforma sobram R$ 275, que divididos por R$ 12 dão 22,9 veículos. A plataforma é 84,4% da fatura.

A mesma conta no Enterprise: R$ 337,4 mil por cliente por ano ÷ 12 meses = R$ 28,1 mil por mês, menos R$ 14 mil de plataforma por mês, dividido por R$ 28 por veículo por mês = 504,1 veículos, com plataforma em 49,8% da fatura. Metade da conta de um cliente enterprise cresce sozinha quando a frota dele cresce. No SMB, 15,6%.

Passo 2, ligar ao NRR. As taxas de expansão de 2025 foram 4,3% no SMB e 30,4% no enterprise. A razão entre as duas frações de métrica de valor é 3,2 vezes, e a razão entre as duas taxas de expansão é 7,0 vezes. As duas razões não são iguais e não deveriam ser, porque frota de enterprise também cresce mais em termos absolutos. O que a comparação mostra é a direção, e a direção é inequívoca: o motor automático de expansão do SMB foi desligado no dia em que se decidiu que a plataforma seria 84,4% do preço.

Passo 3, o subsídio. A roteirização custa R$ 1.200 por mês no Essencial e está inclusa no Pro. O diagnóstico estima o potencial de monetizá-la entre R$ 720 mil e R$ 1,1 milhão por ano. Sobre o ARR de dezembro do mid-market, que é R$ 12,3 milhões, isso é entre 5,9% e 9,0% do segmento inteiro. A dificuldade está declarada no dataset como alta, porque mexe em packaging, e ela é alta porque mexe em empacotamento, o que significa mexer na base instalada.

Passo 4, o que o desconto já custa. A carteira a preço de tabela vale R$ 31,5 milhões e a praticada vale R$ 24,8 milhões. O desconto médio da carteira é 21,4%. Cada ponto percentual de desconto médio vale R$ 315 mil de ARR.

R$ 315 milvale um ponto percentual de desconto médio na carteiraCarteira a preço de tabela (R$ 31,5 milhões) dividida por 100.

O veredito. A Órbita não tem um problema de preço. Tem um problema de estrutura de preço, que é outra coisa e se resolve em outro lugar. Nenhum treinamento de negociação muda a fração de plataforma do plano de entrada, e nenhuma disciplina de desconto recupera um módulo que foi dado de graça na minuta padrão. As duas decisões que mais valem aqui não passam pela mesa de vendas.

Exercício 10.775 minutos, tabela de preços e amostra de faturas

  1. Decomponha o preço de tabela de cada um dos seus planos em parte fixa e parte que acompanha a métrica de valor. Escreva a fração fixa de cada plano.
  2. Aplique o teste das três perguntas à sua métrica atual. Na terceira, descreva em uma frase como o cliente tentaria burlar a contagem.
  3. Liste as diferenças entre os seus planos e classifique cada uma como cerca estrutural ou como item de lista. Para as de lista, nomeie quem na sua empresa tem autoridade para conceder o item isoladamente.
  4. Encontre o item de maior valor percebido que hoje está incluído em algum plano e calcule quanto ele valeria por ano se fosse cobrado. Declare de onde saiu a contagem de contas que o usam.
  5. Adversarial: defenda a decisão de incluir esse item no plano. Depois diga em que unidade essa decisão foi paga e em que unidade ela está sendo cobrada.
Conferir respostas
  1. A decomposição é preço mensal médio menos a parte fixa, dividida pelo preço unitário da métrica. Se a fração fixa passa de 70% no seu plano de entrada, a expansão automática daquele segmento está praticamente desligada e você não vai consertá-la com esforço comercial. Se passa de 90%, você tem na prática uma assinatura de valor fixo com um rótulo de cobrança por uso.
  2. A resposta correta à terceira pergunta descreve o comportamento concreto de fuga. Por assento: senha compartilhada e usuário genérico. Por documento: agrupar notas. Por veículo ativo: marcar veículo como inativo. Quem respondeu apenas “é difícil de burlar” não respondeu: descrever o mecanismo de fuga é o que permite escrever a regra contratual que o bloqueia.
  3. Uma cerca é estrutural quando o cliente não consegue pedir metade dela. Volume, entidades, SLA, governança e ambiente passam. Relatório, treinamento e módulo isolado não passam, porque existe uma pessoa na sua empresa capaz de dizer sim a cada um deles isoladamente. O teste não é sobre a natureza do item: é sobre se alguém pode conceder.
  4. O item incluído de maior valor percebido é o que você daria de graça para ganhar a comparação com o concorrente. Na Órbita é a roteirização, e a conta fecha assim: preço de tabela de R$ 1.200 por mês no plano Essencial, vezes doze, vezes o número de contas do Pro que usam o módulo. O dataset publica a faixa de R$ 720 mil a R$ 1,1 milhão por ano, o que implica entre 50 e 76 contas usando de graça o que o plano de baixo paga. A faixa é larga por um motivo que é o próprio achado do exercício: a Órbita não sabe quantas contas usam cada módulo, e a maior parte das empresas descobre a mesma coisa aqui. Enquanto a faixa for larga, o número serve para decidir se vale investigar, nunca para entrar num waterfall de NRR.
  5. Adversarial: o melhor argumento a favor de incluir o item caro no plano do meio é que ele fecha negócio, e fechar negócio é receita hoje. O contra-argumento não é moral, é aritmético: a inclusão transfere receita recorrente para desconto de aquisição único, e receita recorrente vale múltiplo enquanto desconto de aquisição vale uma vez. Se o item é realmente o que fecha o negócio, ele deveria ser a cerca entre os planos, e não o brinde do plano do meio.

Armadilha: precificar pela concorrência achando que isso não é custo mais margem

A cena é de reunião de diretoria e o argumento parece sofisticado. Alguém mostra a tabela do concorrente, propõe posicionar o plano do meio dez por cento abaixo e chama isso de precificação de mercado. Ninguém questiona, porque é uma frase que soa técnica.

O problema é que o preço do concorrente foi definido pela estrutura de custo dele, pelo estágio de captação dele e pela base instalada dele. Copiá-lo é fazer custo mais margem com números que você não pode auditar. Se ele está subsidiando um segmento para crescer antes de uma rodada, você acabou de importar a estratégia de captação de outra empresa para dentro da sua tabela de preços.

Na Órbita o dado que costuma ser usado nessa discussão é a lista de motivos de perda: 109 dos 455 negócios perdidos foram marcados como preço, que são 24,0%. Esse número tem três problemas e todos precisam ser ditos em voz alta quando ele for citado. Ele é a razão declarada por quem disse não, e preço é a razão socialmente mais confortável de recusar qualquer coisa. Ele veio de uma recodificação manual feita uma única vez, em julho de 2025, sobre 214 valores de texto livre. E o motivo mais frequente da lista não é preço: é 141 negócios em que o cliente manteve a planilha, o que é um problema de valor percebido, não de tabela.

Baixar preço com base numa lista de motivos autodeclarada é a forma mais cara de resolver um problema de posicionamento. O CFO aceita o corte uma vez. Na segunda, ele pede a evidência, e a evidência não existe.

Recuperação

Responda antes de abrir. Tentar e errar consolida mais que reler.

  1. 1Enuncie o teste das três perguntas da métrica de valor e diga qual delas derruba a cobrança por assento num produto cujo valor não vem de pessoas.
    Cresce junto com o valor entregue? O cliente entende e consegue prever a conta? É difícil de burlar? A terceira derruba a cobrança por assento: o cliente raciona logins, compartilha senha e cria usuário genérico, e o resultado é uma base que usa mais e paga o mesmo. O sintoma no painel é uso crescente com receita estável, e a conclusão errada que se tira dele é que o produto não tem mais o que vender.
  2. 2Um plano cobra R$ 3.000 de plataforma mais R$ 40 por unidade, e o preço de tabela mensal médio daquele segmento é R$ 4.200. Qual a contagem implícita de unidades, qual a fração fixa do preço e o que isso prevê sobre a expansão automática do segmento?
    (R$ 4.200 − R$ 3.000) ÷ R$ 40 = 30 unidades. A fração fixa é R$ 3.000 ÷ R$ 4.200 = 71,4%. Só 28,6% da fatura responde ao crescimento do cliente, então mesmo um cliente que cresça 50% em unidades produz apenas 14,3% de expansão na conta. A previsão é de expansão automática baixa, e ela não se corrige com esforço comercial.
  3. 3O Módulo 4 mostrou que a Órbita não tem deal desk, que o desconto é aprovado o CRO, por WhatsApp e que a regra vigente é não escrita: até 15% o AE aprova, acima vai pro CRO. Por que disciplina de desconto e estrutura de preço são problemas diferentes, e o que acontece se você tentar resolver o segundo com o primeiro?Módulo 4 · 4.5
    Disciplina de desconto governa o quanto se abre mão do preço de tabela em cada negócio. Estrutura de preço governa qual é a tabela e o que está dentro de cada plano. Um deal desk perfeito sobre um empacotamento errado protege um preço que já estava baixo por construção, e ainda cria atrito com o time de vendas em nome de uma tabela que não defende a margem. O deal desk é necessário e não é suficiente: ele vale R$ 1,1 milhão de ARR projetado, e a estrutura vale de R$ 720 mil a R$ 1,1 milhão só na linha da roteirização.
  4. 4Escreva de memória a fórmula do excedente do cliente e explique por que custo mais margem entrega o excedente inteiro em software.
    Excedente do cliente = disposição a pagar menos preço cobrado. Em software o custo marginal de servir mais um cliente é próximo de zero e não tem relação com o valor entregue, então um preço ancorado no custo fica muito abaixo da disposição a pagar de quase todo segmento, e toda a diferença fica com o cliente. Cobrir o custo é o piso do preço. Usar o custo como critério é confundir o piso com a régua.
Cap.AlavancaDono nomeadoSubconjunto da baseEfeito no NRREntra na soma de 10.8?Custo de mover
10.1Diagnóstico: separar as quatro alavancas e nomear o dono de cada umaRevOpsToda a base de janeiro, R$ 18,4 milhõesPonto de partida 97,3%. A base tira 2,7 p.p. por ano.não soma Não é alavanca: é o ponto de partida sobre o qual as outras somam.Uma semana de análise. Zero em software.
10.2Triagem de sinais: separar antecedente de coincidenteRevOps e Sucesso do ClienteOs 9 sinais catalogados, 7 já disponíveis em sistemaNão move barra sozinha. É a matéria-prima de 10.3, e sem ela o score de 10.3 mede o passado.não soma Não tem valor próprio: é insumo da linha seguinte.Zero. Os sinais já existem e ninguém os lê.
10.3Health score validado: realocar a atenção da equipe de pós-vendaSucesso do ClienteA coorte de 185 novos logos de 2025Mais 1,0 p.p. na premissa central, 15,4 cancelamentos a mais alcançados dentro das mesmas 40 contas.não soma Atua sobre a coorte de 185 logos entrados em 2025, e o NRR não enxerga cliente novo nem no numerador nem no denominador. As contas dela que estão na base de janeiro disputam com a régua de 10.4, e pela regra do próprio 10.4 a conta fica com a alavanca mais barata.Zero em ferramenta. Uma planilha e a decisão de cruzar duas tabelas.
10.4Régua de cobrança: recuperar o churn que ninguém decidiuFinanceiro e faturamentoAs 20 rescisões de SMB em plano mensal, R$ 288 milMais 0,8 p.p. na premissa central, com faixa de 0,4 a 1,2.soma R$ 144 mil por ano.R$ 42 mil por ano, 25,0% de uma pessoa. Retorno de 3,4 vezes.
10.5Playbook de renovação com janelas, papéis e os três campos no CRMSucesso do Cliente e faturamentoAs 410 renovações do ano e os 544 contratos a cadastrarNão move barra sozinha: destrava as duas barras de 10.8. Sem data-aniversário não existe fila, e sem o índice no CRM o reajuste vira decisão comercial conta a conta.não soma É pré-requisito, não barra. Contá-la somaria duas vezes o mesmo reajuste, que já está nas barras de 10.8.R$ 7.624 de cadastro, 90,7 horas lendo o PDF do contrato.
10.6Cross-sell qualificado: cobrar a auditoria de frete de quem já usaPós-venda e precificação10,1 contas do Pro que usam o módulo sem pagar, e nenhuma outraMais 1,8 p.p., em linha de receita nova e não reajustada.soma R$ 340 mil por ano.R$ 4.255, que são 50,6 horas. Retorno de 80 vezes.
10.7Empacotamento: cobrar a roteirização por uso em vez de incluí-la no ProProduto e precificaçãoAs contas do Pro que usam roteirização, entre 50 e 76 pelo preço de tabela do EssencialDe 3,9 a 6,0 p.p. É a maior faixa da tabela e a única que ainda não é decisão.não soma Reserva declarada, fora da soma. O empacotamento ainda não foi decidido e a Órbita não tem custo por módulo para defender o preço novo. Entra hachurada na figura 10.0 e não entra no waterfall.Alto: mexe na base instalada e exige custo por módulo, que hoje não existe. Dois trimestres no melhor caso.
10.8Reajuste na base instalada: exercer o índice e criar a cláusula que faltaa preenchera preenchera preenchera decidirAinda sem resposta neste ponto.

A ponte de NRR da Órbita, 7 de 8 linhas preenchidas. É a mesma tabela em todo o módulo: cada capítulo escreve a sua linha e declara sobre qual subconjunto da base ela atua. Todos os efeitos estão em pontos percentuais sobre a mesma base congelada de janeiro de 2025, R$ 18,4 milhões, que é o denominador do NRR publicado. A penúltima coluna diz se a linha entra na soma do capítulo 10.8, e quando não entra ela diz por quê: linha que sai da soma sem motivo escrito é linha que foi retirada depois de a conta não fechar. As linhas em cinza ainda não têm resposta neste ponto da leitura.

A Órbita Software é uma empresa fictícia, construída para este curso. Por que um caso fictício.