10.8Capítulo 8 de 8

Reajuste na base e a ponte para o NRR

10.8 Reajuste na base e a ponte para o NRR

Pergunta antes de ler

Quantos por cento da sua base instalada recebeu, nos últimos doze meses, o reajuste contratual por índice que está escrito no contrato? Não o aumento que você gostaria de ter feito: o reajuste que já foi assinado, aceito e que a lei permite aplicar uma vez por ano.

Escreva o percentual. Depois multiplique a parte que ficou de fora pelo índice do ano e escreva o resultado em reais. Esse segundo número é o desconto que a sua empresa concedeu sem que ninguém tivesse pedido.

Esta é a maior assimetria favorável do mercado brasileiro em relação ao americano, e quase ninguém a usa. Contratos de prestação de serviço no Brasil tradicionalmente carregam cláusula de reajuste anual por índice, herança de décadas de inflação alta. A Lei 10.192 de 2001 fixa a periodicidade mínima anual. O resultado é que a maioria dos SaaS brasileiros tem hoje direito contratual a um aumento de preço que nunca exerceu.

Não aplicar o reajuste contratado não é neutralidade. É conceder desconto sem pedir nada em troca, e é um desconto que composta: dois anos sem reajuste com índice na casa de 4,83% ao ano significam perto de dez por cento de preço real perdido em toda a base, para sempre, porque o reajuste do ano seguinte incide sobre a base menor.

Reajuste contratual, uplift real e grandfathering

Reajuste é a correção do preço por um índice previsto em contrato. No Brasil, tipicamente IPCA ou IGP-M. Não é uma decisão comercial: é o cumprimento de uma cláusula que já foi negociada e aceita na assinatura.

Uplift real é o aumento acima do índice. É uma decisão comercial, é negociável e precisa de justificativa de valor. Misturar os dois na mesma frase transforma uma obrigação contratual numa negociação aberta, e é o erro mais caro desta seção.

Grandfathering é manter o preço antigo para a base enquanto o preço novo vale para clientes novos. É uma ferramenta legítima de transição e vira um problema quando não tem prazo de validade declarado: em três anos a empresa acorda com sete tabelas vigentes que nenhum sistema de faturamento administra e nenhum vendedor consegue explicar.

Preço novo = Preço atual × (1 + índice contratual) × (1 + uplift real)

Os dois termos multiplicam, não somam, e se comunicam separados. O índice aparece na fatura como correção contratual, com a cláusula citada. O uplift aparece numa conversa comercial própria, com evidência de valor e com contrapartida. Quem apresenta os dois como um número único acabou de abrir para negociação a metade que não era negociável.

A mesma conta, duas comunicações, dois resultadosUm número sóDois termos, dois interlocutores“Seu contrato terá aumento de 8% a partir de março.”Justificativa: custos subiram.Interlocutor: quem atende o telefone.Resposta do cliente: “consigo 4%?”E os 4,83% que já estavam assinados entraram na negociação.1. Reajuste contratual de 4,83% por IPCA, cláusula X do contrato.2. Conversa separada sobre escopo e preço, com contrapartida.Interlocutores: faturamento para o primeiro, comercial para o segundo.Resposta do cliente: confere a cláusula e paga.A negociação, se houver, acontece só na segunda metade.Reajuste não se negocia porque já foi negociado. Apresentá-lo junto com o uplift é reabrir uma negociação que a empresa já tinha ganhado.

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Figura 10.8 Um número único convida à negociação. Dois números separados convidam à conferência. As duas caixas são a mesma conta, comunicada de dois jeitos. À esquerda, o percentual total, que é como quase toda empresa comunica. À direita, os dois termos separados, cada um com a sua justificativa e o seu interlocutor. Leia a última linha de cada caixa: ela diz o que o cliente responde. A versão da esquerda produz uma proposta de contraoferta sobre o total; a da direita produz, no máximo, uma conversa sobre a metade que é comercial.

A base elegível não é a base inteira

Aplicar o mesmo percentual em conta verde e em conta vermelha converte um ganho de margem numa onda de cancelamentos concentrada exatamente onde já havia risco. A segmentação da base elegível é a parte do plano que o comitê mais cobra, e cada exclusão precisa de justificativa própria, escrita, com o valor em reais que aquela exclusão custa.

Corte da baseDecisãoCritério declaradoPor que essa exclusão vale o que custa
Contas em risco pelo score do capítulo 10.3excluirdecil de pior nota dentro do corte de capacidadesão as contas com maior probabilidade de sair de qualquer forma; o reajuste ali compra churn em vez de margem
Contas com renovação a menos de 60 diasadiardata-aniversário dentro do prazo de aviso prévionão há tempo de restabelecer valor antes de abrir preço, que é a lição do capítulo 10.5; entram no ciclo seguinte
Contas em implantação ou nunca ativadasexcluirnão atingiu a definição de ativação do produtocobrar mais de quem ainda não recebeu valor é o caminho mais curto para o distrato, e a Órbita tem 31% do autosserviço puro nessa condição
Contas enterprisetratar uma a umaACV acima do corte de tratamento individualsão poucas e grandes; o custo de uma conversa individual é irrelevante diante do ARR em jogo, e o risco de um comunicado em massa não é
Contas sem cláusula de reajustefora deste ciclominuta antiga, sem previsão de índicesão 29% da base e não podem receber reajuste agora; viram a segunda barra da ponte, com a cláusula entrando na renovação

O critério de cada linha é declarado antes de olhar o resultado, e não depois. A última coluna traz a justificativa, que é o que o comitê vai ler. Reajuste sem lista de exclusões declarada não é plano: é comunicado em massa.

O breakeven é o número que desarma a sala

A objeção a qualquer reajuste é sempre a mesma, e ela é legítima: vamos perder clientes. O breakeven transforma o medo em aritmética, porque responde à pergunta que de fato importa, que é quantos podemos perder antes de isso ser ruim. O número quase sempre é maior do que a sala imagina.

Breakeven = (Ganho bruto do reajuste − Abatimentos concedidos) ÷ ARR da base reajustada

O abatimento entra no numerador porque parte da base vai pedir e conseguir metade do reajuste, e um modelo que ignora isso projeta um ganho que nunca aparece no caixa. O denominador é o ARR da base efetivamente reajustada, e não o ARR total da empresa: só a base reajustada está exposta ao risco criado pelo reajuste.

Quanto churn incremental o reajuste suporta antes de destruir valorBase reajustada: R$ 5,46 milhões de ARR. Ganho bruto: R$ 264 mil de ARR por ano. Abatimento previsto: R$ 26 mil de ARR por ano.o reajuste cria valoro reajuste destrói valor0%2%4%6%8%provisão do plano: 0,7%breakeven: 4,3%sem abatimento, o breakeven é o próprio índice: 4,83%A folga entre a provisão e o breakeven é de 3,6 pontos percentuais. É esse número, e não a coragem de ninguém, que autoriza a decisão.

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Figura 10.8-b O reajuste da Órbita suporta seis vezes mais churn do que a provisão do plano. A régua vai de zero a oito por cento de churn incremental, que é o churn causado pelo reajuste acima do que aconteceria de qualquer forma. A marca verde é a provisão declarada no plano. A marca ocre é o breakeven com abatimento. A marca à direita é o breakeven sem abatimento, que coincide com o próprio índice: quando não há abatimento, o reajuste só destrói valor se a perda de base superar o percentual do aumento. Toda a faixa entre a provisão e o breakeven é folga.

Na práticaÓrbita Software · o plano de reajuste e o seu breakeven

Passo 1, a base. A Órbita tem cláusula de IPCA numa base elegível de R$ 13 milhões de ARR e aplicou o índice em 58% dela. Sobram 42%, ou R$ 13 milhões × 42% = R$ 5,46 milhões. É essa a base desta barra, e nenhuma outra.

Passo 2, o ganho bruto. R$ 5,46 milhões × 4,83% = R$ 264 mil. Confere com a alavanca que o diagnóstico da Órbita já tinha nomeado, R$ 264 mil, e com o desperdício de processo listado como reajuste não aplicado. Três lugares diferentes do diagnóstico chegam ao mesmo número, o que é o teste mínimo de que a conta está certa.

Passo 3, o abatimento. Premissa declarada, não medição: 20% das contas pedem abatimento e recebem metade do reajuste. R$ 264 mil × 20% × 50% = R$ 26 mil. Ganho líquido: R$ 237 mil.

Passo 4, o breakeven. R$ 237 mil ÷ R$ 5,46 milhões = 4,3%. O reajuste só destrói valor se mais de 4,3% da base reajustada sair por causa dele. Repare no caso sem abatimento: R$ 264 mil ÷ R$ 5,46 milhões = 4,83%, exatamente o índice. Não é coincidência: o ganho é a base vezes o índice, então o ganho dividido pela base é o índice. É uma identidade, e é a forma mais rápida de estimar um breakeven de cabeça numa reunião.

Passo 5, o gatilho de suspensão. Um plano de reajuste sem gatilho de parada é uma aposta, não um plano. O gatilho aqui: suspender a implantação se o churn observado nas contas já comunicadas passar de metade do breakeven, ou seja 2,2%, medido sobre as contas comunicadas e não sobre a base inteira. A medição é semanal e o dono da parada é o CFO, não quem está executando a comunicação.

O veredito. A provisão do plano é de 0,7% de churn incremental e o breakeven é 4,3%. A folga é de 6,2 vezes. Essa é a alavanca de maior retorno e menor dificuldade do módulo inteiro, e ela não exige mudar o produto, contratar ninguém nem renegociar nada. Exige mandar a fatura com o número certo.

O breakeven do reajuste na base instalada

Os dois campos de dinheiro estão em R$ mil, que é a unidade em que a Órbita publica o ARR: 13.000 digitado no primeiro campo são R$ 13 milhões. As saídas saem sempre por extenso. Os campos vieram preenchidos com a Órbita de 2025: base de R$ 13 milhões com cláusula, IPCA de 4,83%, aplicado em 58% dos elegíveis, sem aumento real e sem abatimento. Rode uma vez sem tocar em nada e confira duas linhas contra o capítulo: o ganho bruto precisa dar R$ 364 mil e o deixado na mesa precisa dar R$ 264 mil. Esse segundo número é o que o exemplo resolvido do capítulo acabou de calcular, e o breakeven que ele destaca sai de um campo só: ponha 10 no abatimento e a saída principal cai de 4,83% para 4,35%. Repare no que não mudou nessa troca: o breakeven não depende da cobertura nem da base, porque ele é o próprio reajuste apresentado multiplicado pelo que sobra depois do abatimento. Só depois troque um campo de cada vez. Comece pela cobertura: suba de 58% para 100% e repare que o ganho aparece sem que nenhum preço tenha mudado, porque ele já estava assinado. Depois mexa no churn provisionado até o veredito virar, e anote o número. Esse número é a resposta à única objeção que a sala vai fazer.

Breakeven de churn incremental
4,83%
Reajuste total apresentado ao cliente
4,83%
Base efetivamente reajustada
R$ 7,54 milhões
Ganho bruto do reajuste
R$ 364 mil
Deixado na mesa pela cobertura parcial
R$ 264 mil
Ganho líquido, já fora abatimento e churn
R$ 364 mil
Efeito no NRR
+2,0 pp
Folga entre breakeven e churn provisionado
4,8 pp

Aplicar o reajuste em 58% da base elegível deixa R$ 264 mil por ano na mesa. Isso não é uma decisão de preço. É um desconto concedido sem que ninguém tenha pedido nada em troca, num contrato que o cliente já leu e já assinou. O breakeven de 4,83% diz quanta gente você pode perder antes de o reajuste ficar ruim, e ele é calculado só sobre a fatia que você toca. Suba a cobertura para 100 e compare o ganho bruto: a diferença é dinheiro contratado que a empresa optou por não cobrar.

Grandfathering sem prazo vira sete tabelas

Na hora de subir preço, alguém sempre propõe preservar a base antiga. A proposta é razoável e o erro não está nela: está em preservar sem declarar até quando. Uma decisão de grandfathering precisa de três coisas escritas: quem fica de fora, por quanto tempo, e o que acontece quando o prazo vence.

O critério de quem fica de fora também costuma estar errado. A regra intuitiva é proteger os clientes mais antigos, porque parece justo. A regra correta é proteger os clientes de maior valor estratégico, que é outra lista: referências públicas, contas âncora de um setor, clientes que abrem uma vertical. Antiguidade não é valor. É só tempo.

Três anos, três mudanças de preço, dois desfechosano 1ano 2ano 3hojesem prazo1 tabela2 tabelas3 tabelas4 tabelascom prazo1 tabela2 tabelas1 tabela1 tabelaA Órbita já tem 6 versões de minuta em circulação, antes de qualquer mudança de preço.Toda decisão de preservar preço declara a data em que a preservação acaba. Sem data, a decisão não é preservar: é criar.

Arraste o desenho para o lado para ver inteiro

Figura 10.8-c Grandfathering sem data de validade não é uma concessão. É uma tabela nova. A linha do tempo mostra o que acontece com três decisões sucessivas de preservar a base. Em cima, sem prazo: cada mudança de preço adiciona uma tabela viva, e a empresa chega ao terceiro ano administrando várias. Embaixo, com prazo declarado: cada preservação tem uma data em que a conta migra, e o número de tabelas vivas volta a um. Leia o rodapé como a sanção: o custo não é de margem, é de sistema de faturamento e de conversa de vendedor.

A ponte, com donos, prazos e subconjuntos disjuntos

Agora as oito seções deste módulo se juntam numa página. A ponte de NRR parte do número publicado de 2025, que é 97,3%, e soma sobre a mesma base congelada de janeiro de 2025 que produziu esse índice. Cada linha carrega quatro coisas: o valor em reais, o dono nomeado, o custo de mover e o subconjunto da base sobre o qual ela atua. A última é a que ninguém escreve e a que decide se a ponte é honesta.

A disciplina de subconjuntos disjuntos existe porque a tentação de somar alavancas é irresistível. A régua de cobrança salva contas que o score também contava como salvas. O cross-sell de auditoria acontece em contas que também vão receber reajuste. Somar as duas sem ajuste projeta um NRR que nunca chega, e quando ele não chega a conclusão que o comitê tira é sobre a competência de quem apresentou.

Há uma segunda disciplina, e ela é aritmética. Um ponto percentual de NRR só significa alguma coisa junto do denominador que o produziu. O índice de 97,3% foi medido sobre R$ 18,4 milhões de base em janeiro de 2025, então um ponto vale R$ 184 mil e nada mais. Converter as mesmas alavancas pelo ARR de janeiro de 2026 e somar o resultado a este índice produziria uma ponte com dois denominadores dentro de uma conta só, que é exatamente o erro que o Conceito de 10.1 proíbe. Toda barra abaixo foi convertida por R$ 18,4 milhões.

Uma das quatro barras exige uma conta a mais, e ela existe porque a regra do subconjunto vale também para quem escreve a tabela. A barra da cláusula vale R$ 390 mil sobre R$ 5,34 milhões de base sem cláusula, e essa divisão dá 7,31%, não os 4,83% do índice que este capítulo acabou de ensinar a conferir. A diferença não é erro de conta. O índice sobre essa base são R$ 5,34 milhões vezes 4,83%, ou R$ 258 mil, e os R$ 132 mil que faltam para chegar aos R$ 390 mil são aumento real, porque colocar cláusula onde não existe cláusula é renegociar o contrato, e renegociação é a única hora em que se pede preço novo. O aumento real implícito é de 2,36%, e os dois termos compõem em vez de somar: corrigida pelo índice, a base vira R$ 5,59 milhões, e 2,36% de aumento real sobre ela devolvem R$ 5,73 milhões, que é a base mais os R$ 390 mil da barra. Uma barra que declara a base sobre a qual atua tem de aguentar a divisão, e esta só aguenta porque os dois termos estão separados.

Cap.AlavancaDono nomeadoSubconjunto da baseEfeito no NRREntra na soma de 10.8?Custo de mover
10.1Diagnóstico: separar as quatro alavancas e nomear o dono de cada umaRevOpsToda a base de janeiro, R$ 18,4 milhõesPonto de partida 97,3%. A base tira 2,7 p.p. por ano.não soma Não é alavanca: é o ponto de partida sobre o qual as outras somam.Uma semana de análise. Zero em software.
10.2Triagem de sinais: separar antecedente de coincidenteRevOps e Sucesso do ClienteOs 9 sinais catalogados, 7 já disponíveis em sistemaNão move barra sozinha. É a matéria-prima de 10.3, e sem ela o score de 10.3 mede o passado.não soma Não tem valor próprio: é insumo da linha seguinte.Zero. Os sinais já existem e ninguém os lê.
10.3Health score validado: realocar a atenção da equipe de pós-vendaSucesso do ClienteA coorte de 185 novos logos de 2025Mais 1,0 p.p. na premissa central, 15,4 cancelamentos a mais alcançados dentro das mesmas 40 contas.não soma Atua sobre a coorte de 185 logos entrados em 2025, e o NRR não enxerga cliente novo nem no numerador nem no denominador. As contas dela que estão na base de janeiro disputam com a régua de 10.4, e pela regra do próprio 10.4 a conta fica com a alavanca mais barata.Zero em ferramenta. Uma planilha e a decisão de cruzar duas tabelas.
10.4Régua de cobrança: recuperar o churn que ninguém decidiuFinanceiro e faturamentoAs 20 rescisões de SMB em plano mensal, R$ 288 milMais 0,8 p.p. na premissa central, com faixa de 0,4 a 1,2.soma R$ 144 mil por ano.R$ 42 mil por ano, 25,0% de uma pessoa. Retorno de 3,4 vezes.
10.5Playbook de renovação com janelas, papéis e os três campos no CRMSucesso do Cliente e faturamentoAs 410 renovações do ano e os 544 contratos a cadastrarNão move barra sozinha: destrava as duas barras de 10.8. Sem data-aniversário não existe fila, e sem o índice no CRM o reajuste vira decisão comercial conta a conta.não soma É pré-requisito, não barra. Contá-la somaria duas vezes o mesmo reajuste, que já está nas barras de 10.8.R$ 7.624 de cadastro, 90,7 horas lendo o PDF do contrato.
10.6Cross-sell qualificado: cobrar a auditoria de frete de quem já usaPós-venda e precificação10,1 contas do Pro que usam o módulo sem pagar, e nenhuma outraMais 1,8 p.p., em linha de receita nova e não reajustada.soma R$ 340 mil por ano.R$ 4.255, que são 50,6 horas. Retorno de 80 vezes.
10.7Empacotamento: cobrar a roteirização por uso em vez de incluí-la no ProProduto e precificaçãoAs contas do Pro que usam roteirização, entre 50 e 76 pelo preço de tabela do EssencialDe 3,9 a 6,0 p.p. É a maior faixa da tabela e a única que ainda não é decisão.não soma Reserva declarada, fora da soma. O empacotamento ainda não foi decidido e a Órbita não tem custo por módulo para defender o preço novo. Entra hachurada na figura 10.0 e não entra no waterfall.Alto: mexe na base instalada e exige custo por módulo, que hoje não existe. Dois trimestres no melhor caso.
10.8Reajuste na base instalada: exercer o índice e criar a cláusula que faltaFaturamento, CFO e jurídicoR$ 5,46 milhões com cláusula e sem índice, mais R$ 5,34 milhões sem cláusula. Os dois conjuntos são disjuntos.Mais 1,4 p.p. do índice já contratado e mais 2,1 p.p. da cláusula nova, menos 0,8 p.p. de provisão. A cláusula não é só índice: R$ 258 mil de índice sobre a base sem cláusula mais R$ 132 mil de aumento real, que é o que a renegociação permite pedir.soma R$ 654 mil por ano.Um trimestre de campanha e a provisão de R$ 141 mil entre abatimento e churn incremental.

A ponte de NRR da Órbita, 8 de 8 linhas preenchidas. É a mesma tabela em todo o módulo: cada capítulo escreve a sua linha e declara sobre qual subconjunto da base ela atua. Todos os efeitos estão em pontos percentuais sobre a mesma base congelada de janeiro de 2025, R$ 18,4 milhões, que é o denominador do NRR publicado. A penúltima coluna diz se a linha entra na soma do capítulo 10.8, e quando não entra ela diz por quê: linha que sai da soma sem motivo escrito é linha que foi retirada depois de a conta não fechar. As linhas em cinza ainda não têm resposta neste ponto da leitura.

De 97,3% a 102,7% de NRR, barra a barraDenominador único: R$ 18,4 milhões de ARR em janeiro de 2025. Um ponto percentual vale R$ 184 mil.100%: a base para de encolher sozinha97,3%NRR publicado de 2025medidoR$ 18,4 milhões de baseem janeiro+0,810.4 Régua de cobrançano SMB em plano mensalFinanceiro e faturamento10,0 das 20 rescisões deSMB+1,810.6 Auditoria de fretecobrada de quem já usaPós-venda e precificação10,1 contas que usam omódulo sem pagar+1,410.8 Reajuste jácontratado, aplicado ...Faturamento e CFOR$ 5,46 milhões comcláusula e sem índice+2,110.8 Cláusula dereajuste nos contrato...Jurídico e gerente de...R$ 5,34 milhões semcláusula, disjunto da...−0,8Provisão de abatimento echurn incrementalCFOR$ 10,8 milhões tocadospor preçoponte: 102,7%Disjunção conferida barra a barra: a régua de 10.4 atua em SMB de plano mensal, que não tem cláusula anual e por isso não aparece nas duas barras de reajuste. A auditoria de 10.6 pode cair numa conta reajustada e ainda assim não soma duas vezes, porque o índice incide sobre o ARR de assinatura e ela é linha nova, não reajustada.

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Figura 10.8-d Nenhuma das quatro barras se move com mais esforço de relacionamento. Leia da esquerda para a direita. A primeira coluna é o NRR publicado de 2025. As quatro barras verdes são as quatro linhas da tabela acima que declararam valor, na mesma ordem, e a barra vermelha subtrai a provisão de abatimento e de churn incremental. A chegada é a linha tracejada verde. Sob cada barra estão o dono nomeado e o subconjunto da base sobre o qual ela atua, e é essa segunda linha que prova a disjunção. Na quarta coluna, os R$ 390 mil sobre R$ 5,34 milhões são R$ 258 mil de índice mais R$ 132 mil de aumento real, pelo motivo que o parágrafo acima da tabela detalha. Compare os donos com o tamanho das barras. Três das quatro não passam pelo pós-venda em nenhum momento: são financeiro, faturamento e jurídico. A quarta passa, mas o que ela pede do pós-venda é emitir uma cobrança pelo preço de tabela de um módulo já em uso, não construir relacionamento. Nenhuma das quatro melhora com mais reuniões de acompanhamento.

A ponte fecha em 102,72%. Duas coisas precisam ser ditas sobre esse número antes que alguém o leve a uma reunião. A primeira é que ele não se compara com a âncora de 103,2% do plano de 2026: aquele índice é medido sobre R$ 24,8 milhões de base em janeiro de 2026, outro denominador, e dois índices de bases diferentes não se subtraem. Veja o tamanho do estrago que a confusão causaria. As mesmas quatro barras, líquidas da provisão, valem 5,4 pontos sobre a base de 2025 e 4,0 pontos sobre a de 2026, porque a base cresceu 34,8% no meio. É a mesma receita, e o efeito declarado muda em mais de um ponto percentual conforme o denominador que você escolher. A segunda é que ele não é resultado de calibragem. Duas premissas livres entraram nesta ponte e as duas estão declaradas na tabela acima: o abatimento de 10,0% do ganho bruto e o churn incremental de 0,7% sobre a base tocada por preço. Se você defende outras premissas, a ponte chega a outro lugar, e a forma honesta de apresentá-la é essa: premissa nomeada, faixa declarada, número que sair.

Faça o exercício de inverter o sinal das duas antes de apresentar. Dobre o churn incremental para 1,4% e o abatimento para 20,0% do ganho bruto: a provisão sai de R$ 141 mil para R$ 282 mil e a ponte perde mais 0,8 ponto, fechando em 101,95%. A conclusão do capítulo não muda. Mesmo no cenário duplamente pessimista, o reajuste já contratado continua sendo a alavanca de maior retorno e menor dificuldade do módulo. Uma ponte que só sobrevive à premissa otimista não é uma ponte. É um pedido.

Exercício 10.890 minutos, contratos, planilha e uma página em branco

  1. Divida a sua base instalada em três subconjuntos: já reajustada no último ciclo, com cláusula e não reajustada, e sem cláusula. Escreva o ARR de cada um e confira se a soma fecha com o ARR total.
  2. Calcule o ganho bruto, o abatimento previsto e o breakeven do reajuste da sua base. Declare a premissa de abatimento antes de calcular.
  3. Escreva a lista de exclusões com o critério de cada uma e o ARR que cada exclusão deixa de fora.
  4. Redija o parágrafo de comunicação ao cliente com os dois termos separados. No máximo cinco linhas.
  5. Adversarial: monte a sua ponte de NRR com pelo menos três barras e depois procure, de propósito, as contas que aparecem em duas delas. Escreva o ajuste.
Conferir respostas
  1. O ganho bruto é base elegível não reajustada vezes o índice. Se você aplicou o índice sobre a base inteira, superestimou: parte dela já recebeu reajuste e parte não tem cláusula. Os três subconjuntos (reajustada, com cláusula e não reajustada, sem cláusula) precisam somar a base total, e é essa soma que o comitê vai conferir primeiro.
  2. O breakeven é ganho líquido dividido pela base reajustada. Sem abatimento, ele é o próprio índice, por identidade algébrica: ganho = base × índice, logo ganho ÷ base = índice. Com abatimento de 10% do ganho, ele vira 0,9 × índice. Se o seu breakeven deu muito diferente disso, ou o denominador está errado ou você incluiu uplift real no numerador sem dizer.
  3. Cada exclusão precisa de critério declarado antes do resultado. As quatro obrigatórias: contas em risco pelo score, contas dentro do prazo de aviso prévio, contas não ativadas e contas enterprise, estas últimas por tratamento individual e não por exclusão. Se a sua lista de exclusões cobre mais de 30% da base, provavelmente você está usando exclusão para evitar a conversa difícil.
  4. A comunicação separa os dois termos em dois documentos e dois interlocutores. Um texto que diz “reajuste de 8%” quando 4,83 são índice e o resto é uplift é um texto que abriu negociação sobre a parte não negociável. O teste é ler em voz alta e perguntar: o cliente consegue conferir esta frase contra o contrato dele? Se não consegue, a frase mistura as duas coisas.
  5. Adversarial: a ponte que você montou soma mais do que a meta. Antes de comemorar, procure as contas que aparecem em duas barras. Na Órbita as contas de auditoria também recebem reajuste, e a disjunção se resolve declarando que uma barra atua sobre o ARR de assinatura e a outra sobre uma linha de receita nova. Se você não conseguir escrever essa frase para cada par de barras, a soma está inflada e o número que você vai apresentar já nasceu errado.

Armadilha: somar alavancas de NRR que tocam as mesmas contas

A cena é a apresentação ao conselho e ela costuma ser bem recebida no dia. O slide mostra cinco iniciativas, cada uma com um ganho estimado, e a soma leva o NRR de noventa e poucos para bem acima de cem. Ninguém questiona, porque cada iniciativa isolada é defensável.

O erro aparece nove meses depois, quando o NRR realizado fica no meio do caminho. A régua de cobrança salvou contas que o health score também tinha contado como salvas. O cross-sell aconteceu em contas que também receberam reajuste, e algumas delas usaram o cross-sell como argumento para pedir abatimento no reajuste. As iniciativas funcionaram. A soma é que nunca existiu.

A prevenção é chata e é obrigatória: cada barra declara, por escrito e embaixo dela, o subconjunto da base sobre o qual atua. Quando dois subconjuntos se cruzam, ou você declara o ajuste ou você separa as barras por linha de receita, como na ponte deste capítulo, em que uma barra atua sobre o ARR de assinatura e outra sobre uma linha de módulo que não existia antes.

O conselho perdoa uma projeção errada uma vez. O que ele não perdoa é descobrir que a projeção era aritmeticamente impossível desde o primeiro dia, e essa descoberta leva quinze minutos para quem sabe onde olhar.

Recuperação

Responda antes de abrir. Tentar e errar consolida mais que reler.

  1. 1Separe reajuste contratual de uplift real, escreva a fórmula do preço novo e diga por que os dois termos não se comunicam juntos.
    Preço novo = preço atual × (1 + índice) × (1 + uplift). O reajuste é cumprimento de cláusula já assinada e não se negocia; o uplift é decisão comercial e se negocia com contrapartida. Comunicados juntos, o cliente negocia o total, e a empresa reabre uma negociação que já tinha vencido no dia da assinatura. Separados, o cliente confere a cláusula do primeiro termo e discute apenas o segundo.
  2. 2Uma base reajustável de R$ 8 milhões recebe índice de 5,2%, com 25% das contas pedindo abatimento e recebendo metade. Qual o ganho líquido e qual o breakeven?
    Ganho bruto: R$ 8 milhões × 5,2% = R$ 416 mil. Abatimento: R$ 416 mil × 0,25 × 0,50 = R$ 52 mil. Ganho líquido: R$ 364 mil. Breakeven: R$ 364 mil ÷ R$ 8 milhões = 4,55%, que é 0,875 × 5,2%, a mesma proporção do abatimento. O reajuste só destrói valor se mais de 4,55% da base reajustada sair por causa dele.
  3. 3O Módulo 4 mostrou que a Órbita tem 57 de 185 negócios novos fechados com desconto acima de 25%, e que o deal desk não existe. Como isso muda a leitura do plano de reajuste da base instalada?Módulo 4 · 4.5
    Muda o ponto de partida de cada conta. Uma conta que entrou com 30% de desconto está a preço de tabela menos 30%, e um reajuste de 4,83% sobre ela ainda a deixa muito abaixo da tabela. Isso torna o reajuste mais defensável nessas contas, não menos, e sugere ordenar a comunicação por distância da tabela em vez de por antiguidade. Também aponta o defeito de origem: um reajuste anual bem executado não recupera um desconto de entrada mal concedido, porque os dois são multiplicativos e o desconto é muito maior.
  4. 4Escreva de memória as quatro coisas que toda barra de uma ponte de NRR precisa declarar, e diga qual delas quase ninguém escreve.
    Valor em reais, dono nomeado, prazo e subconjunto da base sobre o qual atua. O subconjunto é o que quase ninguém escreve, e é exatamente o que permite verificar se duas barras se sobrepõem. Sem ele a ponte é uma lista de esperanças somadas, e a soma de esperanças é sempre maior que a realidade.

Um real de churn evitado vale exatamente o mesmo que um real vendido, e custa uma fração do CAC.

A Órbita Software é uma empresa fictícia, construída para este curso. Por que um caso fictício.