O Módulo 1 terminou com um veredito, e não com uma dúvida. A Órbita não tem problema de retenção: tem problema de aquisição. Em 2023 ela decidiu acelerar o SMB e abriu para esse segmento um caminho de autosserviço, sem revisar o onboarding, sem revisar a qualificação e sem revisar o teto de gasto. A marca do caminho ainda está na carteira: 57 clientes de SMB entraram por autosserviço puro, sem nenhum toque humano, 31% deles nunca chegaram a 50 documentos processados, e esse grupo responde por 48% de todo o churn de SMB do ano. O resultado já está nos livros. Foram R$ 6,9 milhões de venda nova em 2025 contra R$ 3,6 milhões de contração mais churn, ou seja, 52,2% de toda a venda nova do ano gastos repondo o que vazou. Sobraram R$ 3,3 milhões que efetivamente empurraram a empresa para a frente. A pergunta deste módulo não é como tapar o vazamento. É como uma empresa chega a esse ponto sem ninguém ter decidido chegar.
A resposta é que um go-to-market não é uma decisão. São cinco, tomadas em momentos diferentes, por pessoas diferentes, e quase nunca revistas juntas. Para quem se vende. O que se promete. Por qual caminho se chega até essa pessoa. Quem executa cada passo. Quanto se pode gastar para isso. Um plano de vendas responde à quarta. Um go-to-market responde às cinco e as amarra de modo que sejam consistentes entre si. A palavra operativa é consistentes: quase todo problema de receita que parece ser de execução é, na verdade, uma inconsistência entre essas cinco. Um produto de ticket baixo vendido por um time de venda consultiva. Uma promessa de transformação entregue por um onboarding de duas horas. Um ICP de enterprise alimentado por um funil de conteúdo genérico.
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A Órbita é um exemplar clássico. Ela decidiu para quem vender sem revisar quanto podia gastar nem quem entregaria. As duas decisões existiram, foram tomadas por gente competente e nunca foram postas na mesma folha. O preço dessa separação não é retórico. No SMB, o CAC de R$ 25,2 mil é recuperado em 21,5 meses, e a retenção de logos daquele segmento cai de 68% no mês 12 para 49% no mês 24. Quando o custo de aquisição termina de se pagar, boa parte da coorte que o pagaria já saiu.
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Este módulo desmonta as cinco decisões uma a uma e devolve a ferramenta que torna cada uma verificável. O capítulo 2.1 define o que é um go-to-market e por que ele não é um plano de vendas. O 2.2 escreve o ICP como documento que recusa negócio, e não como slide: o da Órbita existe num PDF, o CRM não tem o campo, e 41% dos novos logos vieram de fora dele enquanto 68% do churn saiu de lá. O 2.3 mostra que o ticket decide o motion, com aritmética. O 2.4 apresenta o funil e os quatro vícios que ele carrega. O 2.5 corrige o primeiro desses vícios com a gravata-borboleta, que é um dos quatro desenhos que voltam ao longo do curso inteiro. O 2.6 reduz o diagnóstico a três alavancas, volume, conversão e velocidade, e diz qual puxar primeiro. O 2.7 transforma a taxa de ganho em cobertura de pipeline, que é quanto a operação precisa ter aberto para bater a meta. E o 2.8 delimita o que é e o que não é trabalho de RevOps, que é a função encarregada de manter as cinco decisões coerentes depois que você sair da sala. É também o capítulo que entrega a Fase 1 à Fase 2: o Módulo 4 pega o escopo desenhado aqui e escreve, processo por processo, o que acontece entre o lead e o caixa.
Um aviso sobre a ordem, porque ele é o motivo de este módulo vir depois do Módulo 1 e não antes. Se você tivesse começado pelo funil da Órbita, teria concluído que a empresa vai bem, e teria quase razão. Ela converte 30,0% de MQL para SQL contra uma faixa de referência de 18% a 22%, e ganha 28,9% das oportunidades contra uma faixa de 20% a 25%. Quatro das cinco etapas estão dentro ou acima da faixa; a única abaixo é lead para MQL, 37,0% contra ~39%, dois pontos percentuais fora, e o capítulo 2.4 mostra que fechá-los renderia cerca de dez clientes num ano em que a empresa perdeu R$ 3,6 milhões. Uma ressalva de procedência antes que você use qualquer uma dessas faixas: elas são referência de mercado herdada da Fase 1, sem estudo primário rastreável, sem amostra e sem ano, e o capítulo 2.4 declara isso por extenso. O funil mede eficiência de conversão e é estruturalmente cego para a qualidade do que converte. É um instrumento excelente, apontado para a metade errada do problema.